Câmeras de segurança registraram o momento em que a técnica de enfermagem tentou deixar o hospital com a bebê escondida
Um susto que poderia ter terminado em tragédia foi evitado pela rápida desconfiança de uma tia na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina (PI). Uma técnica de enfermagem foi presa após tentar levar uma recém-nascida para fora da unidade dentro de uma bolsa preta. O caso ganhou repercussão nacional após a exibição de imagens exclusivas no programa Fantástico, da TV Globo.
A técnica de enfermagem Auricélia Rocha, que trabalhava na maternidade há pouco mais de dois anos, estava de folga no dia do ocorrido. A mãe da bebê, uma adolescente de 14 anos, havia viajado de Castelo do Piauí até Teresina para o parto.
A abordagem e a desconfiança
Segundo o relato da tia, Daniela Beatriz, a suspeita se apresentou como enfermeira e ofereceu ajuda para realizar exames de rotina na recém-nascida, como o teste do pezinho e o teste da orelhinha — procedimentos essenciais para que a bebê recebesse alta. A mãe permaneceu no quarto se recuperando, enquanto Daniela acompanhou a suposta funcionária.
A tia foi orientada a esperar do lado de fora de uma sala em outro andar. Dois minutos depois, a técnica saiu do local sem a criança, carregando uma bolsa preta grande, e entrou em um banheiro. Foi ali que a desconfiança se instalou.
“Ela vai para o banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto aquele negócio: ‘não está certo'”, contou Daniela em entrevista.
Ao sair do banheiro, a técnica já usava outra roupa — sem a touca, com um vestido jeans e sapatilha bege. Daniela decidiu segui-la.
O momento do resgate
Por volta das 13h45, a tia interceptou a funcionária antes que ela conseguisse deixar a maternidade. Ao puxar a bolsa, encontrou a sobrinha escondida dentro dela, com o zíper semiaberto.
“Quando eu puxo, a nenê está lá. Eu questionei o que estava acontecendo, se ela realmente trabalhava ali. Perguntei: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que você está fazendo com essa menina nessa bolsa?'”, relembrou.
A suspeita respondeu que “não era nada do que [ela] estava pensando”. Daniela tirou a bebê da bolsa e saiu pedindo socorro. Para ela, a rapidez da reação foi o que evitou uma tragédia.
“Como é que eu ia chegar para a minha irmã e dizer que a gente não ia mais ver a filha dela? Que a gente nem sabia o que tinha acontecido?”
Investigações e prisão
A família registrou boletim de ocorrência na noite de segunda-feira (6). Como a comunicação do crime demorou, não houve prisão em flagrante. A Justiça, no entanto, decretou a prisão preventiva de Auricélia.
Durante as investigações, a Polícia Civil do Piauí encontrou na casa da suspeita um quarto totalmente montado para receber um bebê, com berço, fraldas, roupas e banheira. Familiares de Auricélia acreditavam que ela estava grávida, mas os investigadores afirmam que ela não apresentou exames que comprovassem a gestação.
A defesa da técnica afirma que ela tem sintomas esquizofrênicos, usa medicamentos psiquiátricos e teria dificuldade para entender a gravidade dos fatos. A polícia, no entanto, descarta a tese de insanidade mental para livrá-la de punição. O delegado responsável sustenta que ela agiu sozinha e responderá por tentativa de sequestro.
O que diz a maternidade
Em nota, a direção da Maternidade Dona Evangelina Rosa lamentou o ocorrido e classificou o caso como uma “tentativa de retirada irregular”. O diretor administrativo e financeiro, José Alberto Alencar, afirmou que não houve falha na segurança da unidade, que conta com leitores faciais, portas com controle por senhas e códigos, além de profissionais treinados para esse tipo de situação.
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) informou que vai apurar a suposta participação da profissional. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) também investiga o caso.